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domingo, 4 de julho de 2010

Não julgue o público




Por Olívia Mindêlo

Tive um professor na universidade que, bem no comecinho de minhas andanças
acadêmicas, falou um negócio que nunca mais me saiu da cabeça. Ele disse que existe
no meio teatral uma certa premissa para perceber se uma peça vai bem ou mal: a
quantidade de rangidos nas cadeiras durante o espetáculo. Parece besta, mas depois
disso nunca mais deixei de prestar atenção naquilo que quase ninguém percebe depois
que as cortinas se abrem: o público. A não ser que a platéia seja barulhenta ou
alguém bata os pés na sua poltrona, é difícil achar quem se interesse por essa
história de virar o pescoço pro lado só para espiar, na escuridão, o que fala o
corpo vizinho. A não ser que a peça também seja chata ― aí vem a tal coreografia dos
assentos...

Seja como for, o fato é que eu peguei essa mania. Em espetáculos de teatro, de
dança, em exposições... E foi com esse mesmo professor (Luís Reis, um dos maiores
curiosos e conhecedores do fazer cênico do qual tenho notícia) que aprendi a ver o
espectador de uma obra de arte sempre como um sintoma. Uma pista riquíssima de como
uma obra opera seu diálogo quando sai da imersão individual e alcança um sentido ―
concedido pelos seus pares. Não existe arte sem sociedade. Seja a partir da
legitimação de um grupo de pessoas especializadas em reconhecê-la como tal ― dentro
do chamado art world de Howard Becker, ou campo artístico de Pierre Bourdieu; seja a
partir do ângulo de reconhecimento dos "reles mortais". E é até pecado dizer que não
existe arte sem público, de tão óbvia que é a coisa. Mas quem de fato se dedica a
prestar atenção em como se comporta o espectador, em se perguntar quem é ele, no
lugar de contar números de ingressos vendidos ou de assinaturas no livro de visitas?
Quem ainda se arrisca a olhar o público sem um tantinho de pré-julgamento?

Platéia é isso que todos nós somos quando saímos do salto e nos misturamos à
multidão. Na arte, ela é talvez a ponta principal, mas quase sempre é lembrada para
reforçar um discurso dominante (a partir da "ignorância" alheia) ou medir o
"sucesso" de algum trabalho, enquanto a crítica vai na direção contrária. No caso da
arte contemporânea, o público virou uma espécie de bomba-relógio, cuja regulagem do
ponteiro fica na mão dos arte-educadores. São eles que, diferente dos curadores e
diretores das instituições, lidam corpo a corpo com cada uma das presenças e
reações. Quase sempre na tarefa de tentar "adestrá-las", persuadi-las de uma
verdade. É praticamente deles a missão de, em nome de um discurso curatorial
onipotente, atrair o público à mostra e prepará-lo para enfrentar os trabalhos. Ou
ainda evitar que, quando finalmente alguém chegue até eles, rompendo a fronteira
entre a porta de entrada e a rua, solte (de novo!) mais uma daquelas frases que já
ouvimos ― ou já dissemos...

"Afe Maria, até meu filho faz igual". "Então aprenda com ele", uma vez aconselhou
como resposta a escritora Márcia Tiburi. "É isso que chamam de arte?", "Isso é
arte?". Quem frequenta exposições do tipo já deve ter ouvido alguma coisa parecida.
E virou até lugar comum no meio artístico esperar do público não especializado essas
reações de estranhamento, quando instalações, vídeos, performances e outras
experiências visuais entram em cena e adquirem seu status social. É quase um cinismo
declarado. Tudo leva a crer que há mais rangedeira nas "poltronas" desse teatro do
que imaginamos.

Em 2006, a publicação do livro e do vídeo Quem tem medo da arte contemporânea?, a
partir de aulas ministradas pelo crítico Fernando Cocchiarale na Fundação Joaquim
Nabuco, no Recife, só veio reforçar essa premissa. "... A incompreensão parece
crescente", sentenciou Cocchiarale, que acabou virando referência quando o tema é a
relação entre público e arte contemporânea. Este ano foi a vez de o Itaú Cultural,
através da revista Continuum [edição 19], botar mais caldo no assunto, numa edição
quase inteiramente voltada a debater a questão. E lá está o livrinho de Cocchiarale
sendo citado, fora uma boa parcela de depoimentos de peso, aliás, bem menos
preocupados em entender o público a partir dele mesmo (não do que supomos que seja),
e mais empenhados em fazer uma defesa da arte contemporânea.

Geralmente é assim que acontece: todo mundo quer admitir que há um ruído, mas o
"problema" não é dos artistas, das instituições ou dos curadores. É do público que
ainda não captou qual é a da arte contemporânea. E lá se vão explicações sobre o que
rege a lógica desse "novo" fazer artístico, acompanhadas de uma série de
investimentos nos setores educativos dos museus. "Hoje em dia a formação de público
tornou-se uma preocupação essencial. O público passou a ser visto como algo a ser
permanentemente formado", comenta Cocchiarale no mesmo Quem tem medo... É louvável e
coerente que iniciativas às quais se refere existam ― cada vez mais. O papel
institucional passa por aí e amadurece nesse sentido. É a sua função no campo.

No entanto, há algo para refletirmos nos discursos de formação. São extremamente
didáticos e relevantes como pistas ao entendimento de uma outra lógica da arte? Sim,
pois há de se reconhecer que a dita produção de artes visuais contemporânea opera
"convenções" (ou "contratos de leitura") diferentes daquelas utilizadas entre o
Renascimento e o Modernismo, por exemplo. Mas, de outra ponta, os mesmos discursos
reforçam uma certa prepotência inconveniente, na qual os especialistas insistem ao
se colocarem na posição de donos de uma "verdade" ― às vezes tão carregada de
preconceitos como as opiniões que o público, bem genericamente falando, tece a
respeito das obras.

A socióloga Vera Zolberg diz que "os profissionais da arte em geral dão pouco
crédito à capacidade do público leigo em fazer um juízo de valor artístico". Na
realidade, dão pouco crédito ao público. Então, se consideramos que o espectador não
tem o olhar do esteta, também temos que considerar que os ditos profissionais da
arte não parecem respeitar (ou reconhecer como legítima) a formação do público ―
que, convenhamos, nós ocidentais tivemos ―, a respeito do que seja arte. Em vez de
entender o que está por trás de seus julgamentos, acabam por julgá-los. Nas
entrelinhas, parece haver nos projetos de formação uma necessidade de "catequese"
tremenda. De baixo pra cima, de uma hora pra outra.

Não há nada de errado em processos de socialização. Não há nada de mal em querer
unir esforços com o setor educativo. Aliás, essas questões nem passam por um juízo
de valor. Mas até que ponto essas estratégias de formação não são desiguais? Até
onde vamos achar que a arte contemporânea pode muito (e, às vezes, tudo) porque
simplesmente está mais próxima do nosso cotidiano, ou dialoga com o "espírito" de
nosso tempo? A arte contemporânea pode até nos fornecer novas percepções da
realidade, mas vai dizer para todo mundo que é o mesmo vaso sanitário do armazém de
construção que vai fazer você perceber isso...

Sem folclorices, é preciso lembrar: faltam pesquisas sobre consumo cultural na
América Latina, como já ressaltou o argentino Nestor García Canclini. No Brasil,
pouquíssimas instituições de arte investem em pesquisa com o público. Mal conhecem
quem as visita para além da cidade de origem ou do e-mail no livro de assinaturas.
Quando vamos olhar um pouquinho a poltrona do lado? Quando vamos entender que o
público precisa ser observado e não apenas "preparado" para interagir com as obras?
Antes de colocarmos todo mundo num mesmo saco de gato, poderíamos olhar um pouco em
direção à platéia no sentido de, com alguma generosidade, tentar compreender os
séculos de formação que conduzem as suas chaves de leitura da arte. Entender não
necessariamente para converter, ou cooptar. Entender para se colocar no lugar, em
vez de julgar. Um setor educativo não precisa ter a onipotência do convencimento
goela abaixo. Nem a curadoria.

Mapear e problematizar o público (ou os públicos) e sua formação; descobrir quais
variáveis operam as diferenciações de gosto e julgamento. Tudo isso já seria um bom
começo. Somos um país no qual, segundo pesquisa recente do IBGE, mais de 90% da
população nunca entrou em um museu. Somos um país onde a televisão formou muita
gente. Somos um país em que o parco ensino de arte praticamente só passou por
cânones, reforçando o discurso do belo e do deleite visual extremamente tributário
da matriz cultural do romantismo. Numa visão bem panorâmica, esta mesma que está na
base do hedonismo e, para Collin Campbell, do fenômeno do consumismo moderno. A
mesma que faz a gente sentir o amor como um sentimento natural.

Não há mal nisso. Mas o nosso olhar não vê tudo. Só enxerga o que aprendemos. E
muito nos foi ensinado sobre o gostar, antes mesmo de nascermos. O gosto por uma
forma de arte que tem "essência" é sublime e acima de tudo, por exemplo. O discurso
da estética pura correndo nas veias. Todos nós, especialistas ou não, temos, em
graus diferentes, esses legados culturais de longas datas. São os nossos valores que
se expressam na dita subjetividade. Para a filósofa francesa Anne Cauquelin, a
herança de uma visão essencialista, promovida "pelas teorias do século XVIII (Kant,
Hegel e o romantismo)" ― e por sua vez reforçada na autonomização do campo artístico
― "está solidamente enraizada e forma uma tela, uma máscara através da qual tentamos
apreender em vão a contemporaneidade".

Pode ser que ela tenha razão. Mas antes de chegarmos a uma resposta apressada,
poderíamos entender que essa é uma suposição. Assim como é uma suposição acharmos
que a maioria das pessoas tem medo da arte contemporânea. Se procurarmos sair um
pouco mais dessas especulações, que de certa forma são utilizadas na legitimação dos
profissionais da arte, em sua paradoxal vontade de distanciamento (olha aí nossa
herança vindo à tona), poderemos talvez sair do terreno frágil do senso comum e
avançar em conclusões mais consistentes e interessantes sobre nós mesmos.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Comunicação boca-a-boca em ambiente digital

por Rodrigo Capella (*)


O título deste artigo pode, em um primeiro momento, causar estranheza. Mas,
eu logo explico: a comunicação em ambiente digital ganha, momento a momento,
mais potencial boca-a-boca. Se antes, as ações comunicacionais apostavam na
viralização pura e simples; agora baseiam-se no poder opinativo do
consumidor final, conectado em ambientes plurais e mais dinâmicos.

A mudança, com reflexo positivo na economia e nos âmbitos corporativos,
reforça a necessidade de planejamento continuo e impulsiona a divulgação de
mensagens cada vez mais precisas, eficazes e informativas. Não há mais
espaço para a propaganda adjetivada na essência e recheada de fatores de
convencimento.

Mas, então, qual o melhor caminho? O que deve ser feito? Dave Kissel,
sócio-diretor do Zócalo Group, empresa do Grupo Ketchum que desenvolve
programas de Word Mouth, apresentou, durante o Congresso Mega Brasil de
Comunicação 2010, a palestra “O impacto da comunicação boca-a-boca na
reputação e nos negócios de uma organização”.

Dave comentou, entre outros temas, que uma comunicação boca-a-boca deve
passar por algumas etapas. A primeira é medir e entender como as pessoas
aceitam e comentam a marca. Nas fases seguintes, traça-se, por exemplo,
ações de engajamento, criação, aproximação e mensuração do impacto causado.

Esses procedimentos visam à conclusão de um ciclo, que se bem conduzido
transforma consumidores em defensores da marca. No primeiro estágio, os
internautas são chamados de bees, já que têm contato com a marca, mas não a
admiram totalmente. Na fase seguinte, temos os recognized recommanders,
seguidos pelos industry eminents.

No passo final, os compradores viram brand evangelists, ou seja,
evangelizadores. Apreciam a marca, trocam informações com os fabricantes e
indicam a utilização de determinados produtos. Em muitos momentos, atuam
como consultores, projetando produtos e auxiliando no melhoramento dos
existentes. Na outra ponta do ciclo, temos os determined detractors, que não
gostam da marca e, com um simples descontentamento, impactam vendas, gerando
prejuízos institucionais, muitas vezes irreversíveis.

A linha entre o brand evangelists e o determined detractors é tênue e deve
ser muito bem trabalhada, com cautela, respeito e critérios rígidos.
Qualquer tropeço no ambiente digital pode custar caro. Essa é a comunicação
boca-a-boca! Rápida, ágil e repleta de caminhos!



(*) Rodrigo Capella é assessor de imprensa desde 2002, formado em Jornalismo
pela Umesp, pós-graduado em Jornalismo Institucional pela PUC-SP, autor,
entre outros, de "Assessor de Imprensa – fonte qualificada para uma boa
notícia".

Este é um artigo com a opinião do autor e não traduz o pensamento da
ABRECOM. Quer publicar um artigo no ABRECOM? Envie-o para o endereço
abrecom@abrecom.org .

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Web matando a velha mídia







Nos últimos 5 anos, a Web cresceu 117%, em termos de

consumo do tempo das pessoas, enquanto o rádio caiu 18%,

os jornais, 17%, as revistas, 6% e a TV se manteve

praticamente igual.

(O slide faz parte desta apresentação, via TechCrunch.)

Indigência lexical





por Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical".
Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.
Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50"

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinquenta curiosos parasse e perguntasse.
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é "histriônico" a cinqüenta centavos, como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de "histriônico"?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já tem ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isto? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o país sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem a barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento.
Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto.
São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa, ela nunca me enganou.
Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga.
Suponho que para cada pessoas que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando ,não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga. ..
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também "evasivas".
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei!Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só "histriônico" estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?

Mobile como futuro da mídia





por Izabela Vasconcelos do Portal Comunique-se

O diretor da F/Biz, Marcelo Castelo, acredita que em poucos anos o celular irá superar o número de acessos à internet pelo computador. Por causa deste avanço, ele aconselha que as empresas jornalísticas invistam cada vez mais em conteúdo mobile como meio de ampliar seu público de leitores.

Como exemplo, Castelo lembrou que o número de pessoas com celular supera o de internautas no Brasil, com 120 milhões de usuários de celular contra 70 milhões de pessoas com acesso à internet por computador. O especialista destacou que desses 120 milhões, 70 milhões usam SMS.

“Com o celular eu consigo atingir as classes D e E, que muitas vezes não acessam a internet. No futuro haverá mais pessoas usando internet pelo celular do que pelo computador”, ressaltou. O diretor também lembrou que, de acordo com um estudo do RBC Capital Markets, as vendas de smartphones superarão as de PC em 2011.

Castelo disse que, diferente do que acontecia há poucos anos, hoje é possível medir o tráfego por celular, o que aumenta o número de anunciantes e possibilita um novo modelo de negócio para os veículos de comunicação.

O empresário explicou que atualmente as pessoas acompanham as notícias em pequenas “pílulas” ao longo do dia, e que os veículos devem estar atentos a essa necessidade. Castelo também acredita que com o aumento dos anunciantes as empresas possam criar conteúdos exclusivos para o celular e distribuir gratuitamente. “Aqui está o futuro, criar conteúdo gratuito para o celular, e que a produção seja paga pelos anunciantes, acredito muito nisso”, defendeu.

O especialista também falou do iPad, que para ele será uma revolução de ganhos para as empresas e os leitores. “Na minha visão o iPad vai revolucionar a mídia, porque o conteúdo do impresso chega ao mundo inteiro sem custo de impressão e distribuição”.

Castelo participou de debate no Congresso Mega Brasil de Comunicação, nesta quinta-feira (27/05), e foi mediado por Fernanda Ferraz, diretora de comunicação e Relações Institucionais da Vivo e Manuel Fernandes, responsável pela Bites.

Porta-vozes das empresas nas redes sociais





por Izabela Vasconcelos do Portal Comunique-se

O diretor da Andreoli MS&L e especialista em Comunicação Digital, Salim Malik, acredita que a participação ativa dos colaboradores de uma empresa nas redes sociais é a melhor estratégia para uma companhia se aproximar de seu público. Ele sugere que as empresas dêem mais liberdade para seus funcionários e permita que eles falem diretamente aos internautas.

“Cada funcionário pode sair e comunicar com o cliente. Procure colaboradores ativistas”, afirma. Para Malik, este é o primeiro passo para uma empresa entrar na mídia social, mas há certos cuidados que devem ser tomados, como esclarecer o que são informações públicas e o que é estratégico e interno. “Em todas as empresas você deve saber o que pode ou não falar. Tem que ter confiança no que vai falar. Esclareça essas políticas aos funcionários para que eles possam sair e se comunicar”.

Malik também adverte para a necessidade de resolver os “problemas da casa” antes de abrir ao público. “Para organizar quem vai sair você precisa saber quem pode lidar com crise. Você tem que antecipar o que pode acontecer ao entrar em uma mídia social. Se você não está preparado para fazer essa conversa com a mídia social, se você tem questões não resolvidas, você precisa resolver antes de sair por aí na mídia social”, aconselhou.

Como exemplo o especialista citou a companhia aérea Southwest, onde mais de 30 funcionários mantém um blog com suas experiências, e a Best Buy, com a Twelpforce, que conta com 2.600 colaboradores da empresa para atender o público pelo Twitter.

Depois de envolver os funcionários, é hora de interagir com os internautas. Para isso, Malik lembra do caso da Ford no lançamento do novo Fiesta, que ofereceu um carro para 10 pessoas por um período de seis meses e pediu que elas escrevessem um blog sobre suas experiências com o carro. Os blogs tiveram grande repercussão e foram acompanhados por milhares de internautas.

Outro exemplo citado foi o do Fiat Mio, no Brasil. Neste projeto o cliente sugere como deve ser o novo carro da empresa. “Deixaram o cliente livre, foi uma experiência excepcional”, afirmou.

O diretor da Andreoli MS&L disse que é importante quebrar barreiras e convencer a direção da empresa a adotar medidas mais democráticas. “É preciso exigir apoio dos executivos, que estejam envolvidos nesse processo”, concluiu.

Mas...





por Inês Cozzo Olivares

Você já percebeu o estrago que uma simples palavrinha pode fazer? Uma palavrinha de nada... três letrinhas... que podem deixar a gente muito feliz ou arrasado. Já notou? Pois é. Acontece. Não sei se você tem consciência de que é essa palavrinha que estraga tudo ou anestesia dores, mas o fato é que a Neuropsicologia já provou isso, sabe? Com tudo quanto é equipamento que precise pra dizer que tá provado, aliás. Então pensei "Por que não fazer uma crônica sobre isso?" O "troço" é um bocado técnico. Vamos ver no que é que dá... Quem sabe eu não invento, como me sugeriram, as Neurocrônicas. Tomara.

Veja se você consegue ver o desenho da boca se formando quando você diz à alguém:

- É possível, mas é difícil.

E se consegue ver o desenho exatamente oposto quando diz:

- É difícil, mas é possível.

Consegue? Eu consigo. Aliás, eu já vi muuuito isso acontecer. Isso já aconteceu comigo! De dentro pra fora. E as palavras são EXATAMENTE as mesmas! Todas as cinco!

Eu tava assistindo ao seriado Friends -- pela milésima vez, claro, porque ele é muito genial pra ser visto uma vez só -- quando me deparei com essas duas cenas.

Só pra contextualizar, Friends é uma sitcom (abreviatura em inglês para "comédia de situações") com 6 amigos, 3 homens e 3 mulheres, de personalidades bem diferentes e suas situações cotidianas hilárias ou emocionantes, mais hilárias que emocionantes, diga-se de passagem.

O episódio em questão é aquele em que a Rachel (Jennifer Aniston) está morrendo de amores por um cliente chamado Joshua e consegue arrastá-lo pro apartamento dela com a desculpa de uma festinha de bota-fora pra namorada do Ross (David Schwimmer). Depois de uma cena hilária onde ela "paga um mico federal" vestida de Cheerleader -- animadora de torcida -- by the way, neste link você verá meu sobrinho Andrey "zoando" no Powder Puff Cheer Juniors nos EUA onde foi cursar a High School. Achei que seria mais divertido assistir a um monte de moleques "tirando onda" de menina do que às próprias. Os homens que me perdoem se queriam ver "filezinhos", como se diz em Fortaleza, segundo minha cliente e amiga Beth da J. Macêdo! Imaginem... filezinhos... Melhor nem comentar.

Retomando, no seriado, eles, Rachel e Joshua, vão pro quarto dela conversar e ela confessa que está muito interessada nele e ele admite que está muito a fim dela também, mas... e ela imediatamente o interrompe e diz: "Oh! Não! Sem mas..." com carinha de "cachorro pidão", sabe como? Aí ele diz "Tá bom... sem mas." E prossegue dizendo: "No entanto" ao que ela interrompe outra vez, já bem desanimada e diz "Isso é só um 'mas...' de luxo". Aí ele vai explicar pra ela que tá saindo de um relacionamento agora e que talvez esse não seja o melhor momento pros dois, e blá, blá, bla porque ela não tá ouvindo mais nada, claro. Só sofrendo.

Pois é, você já ouviu falar em Marilyn Ferguson? Ela é a autora de um best-seller chamado A conspiração aquariana, que marcou época e é mesmo fabuloso! Ela também criou um boletim na década de 70 chamado "Brain/Mind Bulletin" e esse boletim trazia uma série de informações sobre pesquisas de ponta da época, popularizando as idéias de neurocientistas como Karl Pribram e Candace Pert, físicos como Fritjof Capra e David Bohm, psicólogos como Jean Houston entre outros.

Num desses boletins, ela publicou uma experiência genial que mostrava como a palavras "mas" e todos os seus sinônimos (porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto...) agia sobre nosso cérebro/mente.

Por ser uma conjunção adversativa, sua função é justamente opor as duas partes de uma sentença. Ora, o que se opõe, se não "apaga" o que veio antes, no mínimo, reduz a potência.

Imagina a cena:

Ela: Tô bem assim?
Ele: Tá ótima, mas tem que ser esse sapato mesmo?
Ela: Mas o quê? O que é que tem meu sapato? (já decepcionadíssima porque, convenhamos, ótima uma ova, tem um "mas" aí)
Ele: Antes do fim da festa você vai ficar me infernizando pra voltar, que não aguenta mais, que isso e que aquilo, e seu sapato tá te matando...
Ela: Mas eu não vou mesmo! Eu não faço essas coisas! (a gente nunca tem consciência que faz essas coisas. Aliás, vocês se surpreenderiam como a consciência da gente é seletiva...)
Ele: Ah! mas vai MESMO que eu sei. Já vi esse filme...

E, de mas em mas, a guerra tá armada. Aliás, pra que tanto "mas" afinal? O que aconteceu com a conjunção aditiva? Lembram do E? Tão bonitinho ele. Sabia que o outro nome da conjunção aditiva é copulativa? Sério! Duvido que se alguém te explicasse na escola o que é copular, você ia esquecer essa conjunção, mas duvido mesmo! Nessa idade os hormônios estão simplesmente explodindo! E duvido que você não a preferisse ao 'mas'. Duvido!

Na prática, imaginem isso:

Ele: Tá ótima! E ficava melhor ainda com aquele sapato baixinho, super elegante, de ontem.

Quem discute com um ótimo somado à outro? Lembra? E? Conjunção aditiva? Adicionar = somar? Isso MAIS aquilo? Aliás, por que cargas d'água, nas aulas de português, não nos mostram as vantagens de falar ou escrever bem NA VIDA? Não pra prova; pra vida! Diz pra mim que entendendo a diferença entre as conjunções (palavras de ligação entre frases numa mesma sentença) eu vou conseguir ser mais feliz na vida e eu juro que aprendo! Mas me conta o efeito de cada uma, sacou? Por que é aí que mora o perigo! Mas é aí também que está a chave do sucesso em termos de comunicação: Em saber os efeitos que as construções semânticas causam na gente. Porque causam. E como causam.

O negócio é que essa pesquisa publicada pelo Brain/Mind Bulletin mostra que sujeitos em conversação livre, apresentam um tamanho de onda no EEG (eletroencefalograma) maior após o 'mas'. Por exemplo, na sentença:

Sujeito A: - Concorda?
Sujeito B: - Eu concordo, mas to achando melhor rever.

O sujeito A, apresenta um cumprimento de onda muito maior após o mas do que apresentava antes, isto é, ele está processando praticamente só a segunda parte da sentença! Neste caso, o "acho melhor rever"! A primeira -- concordo -- apagou-se da mente ou perdeu força, logo não adianta nada tentar amenizar com uma concordância primeiro. Dããã...

Coisas como:
- Você é um ótimo funcionário, mas...
- Você é um super amigo, mas...
- Eu te ajudo, mas...

Esquece! Esquece o ótimo, o super, o ajudo. Esquece tudo! Deu em nada!

Lembra que eu disse no início que eram duas cenas no mesmo episódio de Friends? Então, na segunda, a Rachel tá sentada na escada da entrada do apartamento, curtindo uma dor de cotovelo básica, quando vê o Joshua, voltando. Ele se aproxima dela e diz:
- Fiquei pensando muito sobre nós e, bem, ainda é verdade que estou recém saindo de um relacionamento e meio machucado, mas...
Ao que ela, imediatamente o interrompe e diz:
- Ah! Aí está! Desse 'mas' sim eu gosto!
Eles riem e, claro, dão um beijo daqueles de estimular cachoeiras de endorfina na corrente sanguínea.

É simples assim, basta inverter a ordem das coisas, por exemplo:
- Você tem se atrasado ultimamente, mas é um ótimo funcionário de modo geral. O que tá acontecendo?
- Você me deixou falando sozinho ontem, mas é um super amigo. Não entendi. O que aconteceu?
- Eu não tenho a parte da manhã, mas te ajudo à tarde ou à noite.

E por aí vai...

Eu, por exemplo, adoraria continuar escrevendo, mas preciso parar agora porque postar aquele video do beijo no YouTube mexeu com toda minha produção de neurotransmissores... (neurocientistas são maus... muito maus... mas podem ser bem instrutivos e divertidos também quando querem...).