segunda-feira, 31 de maio de 2010

A Web matando a velha mídia







Nos últimos 5 anos, a Web cresceu 117%, em termos de

consumo do tempo das pessoas, enquanto o rádio caiu 18%,

os jornais, 17%, as revistas, 6% e a TV se manteve

praticamente igual.

(O slide faz parte desta apresentação, via TechCrunch.)

Indigência lexical





por Fábio Reynol

Ouviu dizer que o Brasil sofria de uma grave falta de palavras. Em um programa de TV, viu uma escritora lamentando que não se liam livros nesta terra, por isso as palavras estavam em falta na praça. O mal tinha até nome de batismo, como qualquer doença grande, "indigência lexical".
Comerciante de tino que era, não perdeu tempo em ter uma idéia fantástica. Pegou dicionário, mesa e cartolina e saiu ao mercado cavar espaço entre os camelôs.
Entre uma banca de relógios e outra de lingerie instalou a sua: mesa, o dicionário e a cartolina na qual se lia: "Histriônico - apenas R$ 0,50"

Demorou quase quatro horas para que o primeiro de mais de cinquenta curiosos parasse e perguntasse.
- O que o senhor está vendendo?
- Palavras, meu senhor. A promoção do dia é "histriônico" a cinqüenta centavos, como diz a placa.
- O senhor não pode vender palavras. Elas não são suas. Palavras são de todos.
- O senhor sabe o significado de "histriônico"?
- Não.
- Então o senhor não a tem. Não vendo algo que as pessoas já tem ou coisas de que elas não precisem.
- Mas eu posso pegar essa palavra de graça no dicionário.
- O senhor tem dicionário em casa?
- Não. Mas eu poderia muito bem ir à biblioteca pública e consultar um.
- O senhor estava indo à biblioteca?
- Não. Na verdade, eu estou a caminho do supermercado.
- Então veio ao lugar certo. O senhor está para comprar o feijão e a alface, pode muito bem levar para casa uma palavra por apenas cinqüenta centavos de real!
- Eu não vou usar essa palavra. Vou pagar para depois esquecê-la?
- Se o senhor não comer a alface ela acaba apodrecendo na geladeira e terá de jogá-la fora e o feijão caruncha.
- O que pretende com isto? Vai ficar rico vendendo palavras?
- O senhor conhece Nélida Piñon?
- Não.
- É uma escritora. Esta manhã, ela disse na televisão que o país sofre com a falta de palavras, pois os livros são muito pouco lidos por aqui.
- E por que o senhor não vende livros?
- Justamente por isso. As pessoas não compram as palavras no atacado, portanto eu as vendo no varejo.
- E o que as pessoas vão fazer com as palavras? Palavras são palavras, não enchem a barriga.
- A escritora também disse que cada palavra corresponde a um pensamento.
Se temos poucas palavras, pensamos pouco. Se eu vender uma palavra por dia, trabalhando duzentos dias por ano, serão duzentos novos pensamentos cem por cento brasileiros. Isso sem contar os que furtam o meu produto.
São como trombadinhas que saem correndo com os relógios do meu colega aqui do lado. Olhe aquela senhora com o carrinho de feira dobrando a esquina. Com aquela carinha de dona-de-casa, ela nunca me enganou.
Passou por aqui sorrateira. Olhou minha placa e deu um sorrisinho maroto se mordendo de curiosidade. Mas nem parou para perguntar. Eu tenho certeza de que ela tem um dicionário em casa. Assim que chegar lá, vai abri-lo e me roubar a carga.
Suponho que para cada pessoas que se dispõe a comprar uma palavra, pelo menos cinco a roubarão. Então eu provocarei mil pensamentos novos em um ano de trabalho.
- O senhor não acha muita pretensão? Pegar um...
- Jactância.
- Pegar um livro velho...
- Alfarrábio.
- O senhor me interrompe!
- Profaço.
- Está me enrolando ,não é?
- Tergiversando.
- Quanta lenga-lenga. ..
- Ambages.
- Ambages?
- Pode ser também "evasivas".
- Eu sou mesmo um banana para dar trela para gente como você!
- Pusilânime.
- O senhor é engraçadinho, não?
- Finalmente chegamos: histriônico!
- Adeus.
- Ei!Vai embora sem pagar?
- Tome seus cinqüenta centavos.
- São três reais e cinqüenta.
- Como é?
- Pelas minhas contas, são oito palavras novas que eu acabei de entregar para o senhor. Só "histriônico" estava na promoção, mas como o senhor se mostrou interessado, faço todas pelo mesmo preço.
- Mas oito palavras seriam quatro reais, certo?
- É que quem leva ambages ganha uma evasiva, entende?
- Tem troco para cinco?

Mobile como futuro da mídia





por Izabela Vasconcelos do Portal Comunique-se

O diretor da F/Biz, Marcelo Castelo, acredita que em poucos anos o celular irá superar o número de acessos à internet pelo computador. Por causa deste avanço, ele aconselha que as empresas jornalísticas invistam cada vez mais em conteúdo mobile como meio de ampliar seu público de leitores.

Como exemplo, Castelo lembrou que o número de pessoas com celular supera o de internautas no Brasil, com 120 milhões de usuários de celular contra 70 milhões de pessoas com acesso à internet por computador. O especialista destacou que desses 120 milhões, 70 milhões usam SMS.

“Com o celular eu consigo atingir as classes D e E, que muitas vezes não acessam a internet. No futuro haverá mais pessoas usando internet pelo celular do que pelo computador”, ressaltou. O diretor também lembrou que, de acordo com um estudo do RBC Capital Markets, as vendas de smartphones superarão as de PC em 2011.

Castelo disse que, diferente do que acontecia há poucos anos, hoje é possível medir o tráfego por celular, o que aumenta o número de anunciantes e possibilita um novo modelo de negócio para os veículos de comunicação.

O empresário explicou que atualmente as pessoas acompanham as notícias em pequenas “pílulas” ao longo do dia, e que os veículos devem estar atentos a essa necessidade. Castelo também acredita que com o aumento dos anunciantes as empresas possam criar conteúdos exclusivos para o celular e distribuir gratuitamente. “Aqui está o futuro, criar conteúdo gratuito para o celular, e que a produção seja paga pelos anunciantes, acredito muito nisso”, defendeu.

O especialista também falou do iPad, que para ele será uma revolução de ganhos para as empresas e os leitores. “Na minha visão o iPad vai revolucionar a mídia, porque o conteúdo do impresso chega ao mundo inteiro sem custo de impressão e distribuição”.

Castelo participou de debate no Congresso Mega Brasil de Comunicação, nesta quinta-feira (27/05), e foi mediado por Fernanda Ferraz, diretora de comunicação e Relações Institucionais da Vivo e Manuel Fernandes, responsável pela Bites.

Porta-vozes das empresas nas redes sociais





por Izabela Vasconcelos do Portal Comunique-se

O diretor da Andreoli MS&L e especialista em Comunicação Digital, Salim Malik, acredita que a participação ativa dos colaboradores de uma empresa nas redes sociais é a melhor estratégia para uma companhia se aproximar de seu público. Ele sugere que as empresas dêem mais liberdade para seus funcionários e permita que eles falem diretamente aos internautas.

“Cada funcionário pode sair e comunicar com o cliente. Procure colaboradores ativistas”, afirma. Para Malik, este é o primeiro passo para uma empresa entrar na mídia social, mas há certos cuidados que devem ser tomados, como esclarecer o que são informações públicas e o que é estratégico e interno. “Em todas as empresas você deve saber o que pode ou não falar. Tem que ter confiança no que vai falar. Esclareça essas políticas aos funcionários para que eles possam sair e se comunicar”.

Malik também adverte para a necessidade de resolver os “problemas da casa” antes de abrir ao público. “Para organizar quem vai sair você precisa saber quem pode lidar com crise. Você tem que antecipar o que pode acontecer ao entrar em uma mídia social. Se você não está preparado para fazer essa conversa com a mídia social, se você tem questões não resolvidas, você precisa resolver antes de sair por aí na mídia social”, aconselhou.

Como exemplo o especialista citou a companhia aérea Southwest, onde mais de 30 funcionários mantém um blog com suas experiências, e a Best Buy, com a Twelpforce, que conta com 2.600 colaboradores da empresa para atender o público pelo Twitter.

Depois de envolver os funcionários, é hora de interagir com os internautas. Para isso, Malik lembra do caso da Ford no lançamento do novo Fiesta, que ofereceu um carro para 10 pessoas por um período de seis meses e pediu que elas escrevessem um blog sobre suas experiências com o carro. Os blogs tiveram grande repercussão e foram acompanhados por milhares de internautas.

Outro exemplo citado foi o do Fiat Mio, no Brasil. Neste projeto o cliente sugere como deve ser o novo carro da empresa. “Deixaram o cliente livre, foi uma experiência excepcional”, afirmou.

O diretor da Andreoli MS&L disse que é importante quebrar barreiras e convencer a direção da empresa a adotar medidas mais democráticas. “É preciso exigir apoio dos executivos, que estejam envolvidos nesse processo”, concluiu.

Mas...





por Inês Cozzo Olivares

Você já percebeu o estrago que uma simples palavrinha pode fazer? Uma palavrinha de nada... três letrinhas... que podem deixar a gente muito feliz ou arrasado. Já notou? Pois é. Acontece. Não sei se você tem consciência de que é essa palavrinha que estraga tudo ou anestesia dores, mas o fato é que a Neuropsicologia já provou isso, sabe? Com tudo quanto é equipamento que precise pra dizer que tá provado, aliás. Então pensei "Por que não fazer uma crônica sobre isso?" O "troço" é um bocado técnico. Vamos ver no que é que dá... Quem sabe eu não invento, como me sugeriram, as Neurocrônicas. Tomara.

Veja se você consegue ver o desenho da boca se formando quando você diz à alguém:

- É possível, mas é difícil.

E se consegue ver o desenho exatamente oposto quando diz:

- É difícil, mas é possível.

Consegue? Eu consigo. Aliás, eu já vi muuuito isso acontecer. Isso já aconteceu comigo! De dentro pra fora. E as palavras são EXATAMENTE as mesmas! Todas as cinco!

Eu tava assistindo ao seriado Friends -- pela milésima vez, claro, porque ele é muito genial pra ser visto uma vez só -- quando me deparei com essas duas cenas.

Só pra contextualizar, Friends é uma sitcom (abreviatura em inglês para "comédia de situações") com 6 amigos, 3 homens e 3 mulheres, de personalidades bem diferentes e suas situações cotidianas hilárias ou emocionantes, mais hilárias que emocionantes, diga-se de passagem.

O episódio em questão é aquele em que a Rachel (Jennifer Aniston) está morrendo de amores por um cliente chamado Joshua e consegue arrastá-lo pro apartamento dela com a desculpa de uma festinha de bota-fora pra namorada do Ross (David Schwimmer). Depois de uma cena hilária onde ela "paga um mico federal" vestida de Cheerleader -- animadora de torcida -- by the way, neste link você verá meu sobrinho Andrey "zoando" no Powder Puff Cheer Juniors nos EUA onde foi cursar a High School. Achei que seria mais divertido assistir a um monte de moleques "tirando onda" de menina do que às próprias. Os homens que me perdoem se queriam ver "filezinhos", como se diz em Fortaleza, segundo minha cliente e amiga Beth da J. Macêdo! Imaginem... filezinhos... Melhor nem comentar.

Retomando, no seriado, eles, Rachel e Joshua, vão pro quarto dela conversar e ela confessa que está muito interessada nele e ele admite que está muito a fim dela também, mas... e ela imediatamente o interrompe e diz: "Oh! Não! Sem mas..." com carinha de "cachorro pidão", sabe como? Aí ele diz "Tá bom... sem mas." E prossegue dizendo: "No entanto" ao que ela interrompe outra vez, já bem desanimada e diz "Isso é só um 'mas...' de luxo". Aí ele vai explicar pra ela que tá saindo de um relacionamento agora e que talvez esse não seja o melhor momento pros dois, e blá, blá, bla porque ela não tá ouvindo mais nada, claro. Só sofrendo.

Pois é, você já ouviu falar em Marilyn Ferguson? Ela é a autora de um best-seller chamado A conspiração aquariana, que marcou época e é mesmo fabuloso! Ela também criou um boletim na década de 70 chamado "Brain/Mind Bulletin" e esse boletim trazia uma série de informações sobre pesquisas de ponta da época, popularizando as idéias de neurocientistas como Karl Pribram e Candace Pert, físicos como Fritjof Capra e David Bohm, psicólogos como Jean Houston entre outros.

Num desses boletins, ela publicou uma experiência genial que mostrava como a palavras "mas" e todos os seus sinônimos (porém, contudo, entretanto, todavia, no entanto...) agia sobre nosso cérebro/mente.

Por ser uma conjunção adversativa, sua função é justamente opor as duas partes de uma sentença. Ora, o que se opõe, se não "apaga" o que veio antes, no mínimo, reduz a potência.

Imagina a cena:

Ela: Tô bem assim?
Ele: Tá ótima, mas tem que ser esse sapato mesmo?
Ela: Mas o quê? O que é que tem meu sapato? (já decepcionadíssima porque, convenhamos, ótima uma ova, tem um "mas" aí)
Ele: Antes do fim da festa você vai ficar me infernizando pra voltar, que não aguenta mais, que isso e que aquilo, e seu sapato tá te matando...
Ela: Mas eu não vou mesmo! Eu não faço essas coisas! (a gente nunca tem consciência que faz essas coisas. Aliás, vocês se surpreenderiam como a consciência da gente é seletiva...)
Ele: Ah! mas vai MESMO que eu sei. Já vi esse filme...

E, de mas em mas, a guerra tá armada. Aliás, pra que tanto "mas" afinal? O que aconteceu com a conjunção aditiva? Lembram do E? Tão bonitinho ele. Sabia que o outro nome da conjunção aditiva é copulativa? Sério! Duvido que se alguém te explicasse na escola o que é copular, você ia esquecer essa conjunção, mas duvido mesmo! Nessa idade os hormônios estão simplesmente explodindo! E duvido que você não a preferisse ao 'mas'. Duvido!

Na prática, imaginem isso:

Ele: Tá ótima! E ficava melhor ainda com aquele sapato baixinho, super elegante, de ontem.

Quem discute com um ótimo somado à outro? Lembra? E? Conjunção aditiva? Adicionar = somar? Isso MAIS aquilo? Aliás, por que cargas d'água, nas aulas de português, não nos mostram as vantagens de falar ou escrever bem NA VIDA? Não pra prova; pra vida! Diz pra mim que entendendo a diferença entre as conjunções (palavras de ligação entre frases numa mesma sentença) eu vou conseguir ser mais feliz na vida e eu juro que aprendo! Mas me conta o efeito de cada uma, sacou? Por que é aí que mora o perigo! Mas é aí também que está a chave do sucesso em termos de comunicação: Em saber os efeitos que as construções semânticas causam na gente. Porque causam. E como causam.

O negócio é que essa pesquisa publicada pelo Brain/Mind Bulletin mostra que sujeitos em conversação livre, apresentam um tamanho de onda no EEG (eletroencefalograma) maior após o 'mas'. Por exemplo, na sentença:

Sujeito A: - Concorda?
Sujeito B: - Eu concordo, mas to achando melhor rever.

O sujeito A, apresenta um cumprimento de onda muito maior após o mas do que apresentava antes, isto é, ele está processando praticamente só a segunda parte da sentença! Neste caso, o "acho melhor rever"! A primeira -- concordo -- apagou-se da mente ou perdeu força, logo não adianta nada tentar amenizar com uma concordância primeiro. Dããã...

Coisas como:
- Você é um ótimo funcionário, mas...
- Você é um super amigo, mas...
- Eu te ajudo, mas...

Esquece! Esquece o ótimo, o super, o ajudo. Esquece tudo! Deu em nada!

Lembra que eu disse no início que eram duas cenas no mesmo episódio de Friends? Então, na segunda, a Rachel tá sentada na escada da entrada do apartamento, curtindo uma dor de cotovelo básica, quando vê o Joshua, voltando. Ele se aproxima dela e diz:
- Fiquei pensando muito sobre nós e, bem, ainda é verdade que estou recém saindo de um relacionamento e meio machucado, mas...
Ao que ela, imediatamente o interrompe e diz:
- Ah! Aí está! Desse 'mas' sim eu gosto!
Eles riem e, claro, dão um beijo daqueles de estimular cachoeiras de endorfina na corrente sanguínea.

É simples assim, basta inverter a ordem das coisas, por exemplo:
- Você tem se atrasado ultimamente, mas é um ótimo funcionário de modo geral. O que tá acontecendo?
- Você me deixou falando sozinho ontem, mas é um super amigo. Não entendi. O que aconteceu?
- Eu não tenho a parte da manhã, mas te ajudo à tarde ou à noite.

E por aí vai...

Eu, por exemplo, adoraria continuar escrevendo, mas preciso parar agora porque postar aquele video do beijo no YouTube mexeu com toda minha produção de neurotransmissores... (neurocientistas são maus... muito maus... mas podem ser bem instrutivos e divertidos também quando querem...).

Pra que ler jornal de papel?







por Duanne Ribeiro

As pessoas em geral parecem pensar uma só coisa a respeito dos jornais de papel (penso em O Estado de S.Paulo, Folha de S.Paulo e semelhantes): eles seriam excessivos. Isso se traduz de muitas formas: ou o jornal é parcialmente ou totalmente desnecessário (porque o leitor se informa por outros meios) ou ele é pesado demais ― à ideia de ler um Estadão completo ocorre ao leitor o mesmo cansaço que lhe viria se de súbito tivesse de subir a pé uma ladeira íngreme e interminável.

Esse último leitor sente o que sente porque pensa que necessita ler o jornal da primeira à última folha, por alguma espécie de obrigação. Eu acredito que todas essas opiniões são verdadeiras. As notícias, é evidente para todos, estão em quaisquer outros lugares. E, de fato, só ver a pilha de papel já cansa. Mas há pelo menos duas utilidades que só se terá levando a cabo alguns jornalões.

Antes de falar disso, vamos ver essa ideia de excessividade de perto. O Estado e a Folha tentam abranger todos os assuntos de modo a vender para todos os públicos, mas boa parte das pessoas é absorvida pelas mídias especializadas e não sente necessidade desses jornais. O cotidiano (cidades, polícia, Brasil, política) é distribuído regularmente por rádios e televisões, e a maior parcela do público não entende que haja qualquer coisa de específico no produto impresso, e, mesmo quando sente precisão de análises e discussão, pode ser tomado pelas revistas semanais ou por programas de discussão e talk shows. Outra imensa parte se informa pela internet, prefere descobrir o que lhe interesse por redes sociais, interagindo; ou quer uma informação mais individualizada, pessoal, próxima: os blogs. É possível desconstruir qualquer jornalão e chegar à conclusão de que ele não precisa existir.

Quando aparelhos como o Kindle se popularizarem, isso será uma evidência ainda maior. Adicione uma conexão à internet e não será necessário nem a compilação em uma "edição", só o site. Desse tipo de conclusão é que se extraem os prognósticos de "fim dos jornais" (sobre isso leia este artigo e mais este). Também me parece que é por isso que a mais recente reforma do Estadão tentou torná-lo mais interativo e decretou que cada editoria é um lugar de sociabilização, uma rede que uniria os interessados em torno de cada tema. Assim como um dos motivos para o Guardian contratar blogueiros de todo o mundo, sem necessidade de curso de jornalismo. Por outro lado, a eventual conveniência, a fidelidade e o respeito ao nome de algumas publicações ainda garantem a venda de muito papel. Principalmente, é preciso "não confundir o fim dos jornais com o fim do jornalismo".

Sempre haverá a necessidade de informação e de quem informe. E existe também uma certa crença de que precisamos ou (em alguns casos) temos a obrigação de nos informar. Isso é mais comum do que parece à primeira vista: posso apostar que qualquer conhecido seu dirá que é correto assistir ao Jornal Nacional, justificando com alguma variante de "precisamos saber o que está acontecendo", mesmo que se termine o programa sabendo apenas de tragédias, mortes e falcatruas repetidas. Ou, em outro contexto, como em um relato de Julio Daio Borges: "quanto mais eu me aproximo da informação que realmente me interessa, menos tranquilidade eu alcanço, mais inquietação esse exercício me proporciona" (esse texto tem um interesse particular porque amplia este artigo: relembra o excessivo na internet). Qual é o sentimento que leva a isso? Uma espécie de senso de dever? A constatação de que se está perdendo muito, "há tanto, tanto a descobrir!"...?

Para mim, e especificamente quanto aos jornais de papel, me senti, digamos, obrigado a ler a Folha ou o Estado quando estudante de jornalismo, por obviedade da condição e por conselho contínuo dos professores. É minha experiência como assinante dos dois que me sugere aquelas duas utilidades para o jornal de papel lá do primeiro parágrafo. Desde o começo, minha proposta para mim mesmo era a tortura voluntária: leria todas as editorias e quase todo o jornal, retirando-se as notícias burocráticas, pouco interessantes ou sem muita novidade no curso de um assunto. Havia uma tentativa de abranger o máximo possível, de modo que mesmo que as pilhas se acumulassem, não eram jogadas fora de pronto, e sim lidas de uma só vez na ocasião propícia. Aprendi muito com isso. Passei a não incorrer mais nas opiniões imediatas que as pessoas têm logo depois de uma matéria de TV, e, com o tempo, subir aquela ladeira feroz não me era mais doloroso. Uma das dificuldades dos jornais é que há uma série de acontecimentos em curso, e quem tenta entrar é meio que repelido. Com a leitura, acabamos sabendo precedentes e perspectivas, e tudo flui de forma mais natural, de política aos esportes.

Há certo prazer em encher a cabeça de informação. E com esse prazer e aquela rotina de leitura, percebi duas características do jornal de papel que a internet não podia me proporcionar a priori, pela sua própria constituição. Em primeiro lugar, o jornal me sugere um percurso. Realiza uma seleção, dispõe discussões relativas ao tema, agrupa as matérias de forma que eu as visualize todas com o virar das páginas. Navegando na Folha Online, eu teria de passar de link relacionado a link anunciado, mas nada ali me diz que aquilo faz parte de um todo, só me diz que foi acumulado no mesmo lugar. A internet não é um percurso. É o mar aberto. Essa é uma das utilidades que vi nos jornalões: me manter em um rumo ― e isso não quer dizer que eu confie totalmente na informação ou não vá ler de outras fontes; mas é um rumo. Nessa sugestão de caminho, encontramos a segunda utilidade: ao longo das editorias, sou apresentado a assuntos que eu não procuraria virtualmente, e, por isso, nunca saberia deles. Esportes, temas femininos, construção, design ― não procuraria nada no Google sobre eles; mas ali no jornal estava uma matéria e por acaso eu aprendi. A internet é como o mar de certo conto de Poe: te drena em uma espiral e te afunda. No fim das contas, ela te dá mais e mais de você mesmo, seguidamente.

Talvez tudo isso seja só uma justificativa que encontrei para me ater aos jornais, uma argumentação corporativa ― afinal, eu estava me formando em jornalismo e era onde eu queria trabalhar. De qualquer modo, me parecem bem verdadeiras, essas duas utilidades. Talvez, além de sociabilizar editorias, um dos caminhos para as mídias que querem abranger todos os assuntos seja criar seleções de matérias, percursos possíveis além dos vínculos relacionados. Como os dossiês da Cult, mas onipresentes. E também, quem sabe, uma função como a do Stumble Upon, que nos envia aleatoriamente a coisas interessantes. Ou outras ideias. Que acham?

Gazeta da Jerusalém, século 1 d.C.









Há duas semanas não se fala em outra coisa: de Damasco a Jericó, da Judeia à Galileia, aquém e além Jordão, todos discutem a nova tecnologia que, segundo seus criadores, vai revolucionar a forma como lemos.

Para aqueles totalmente desinformados, que passaram os últimos dias saqueando cidades vizinhas, degolando gentios ou fazendo libações a Deus, explico: trata-se de um bloco retangular, mais ou menos do tamanho de um tijolo, embora mais fino, a que chamam de "livro". A novidade tem conquistado tantos adeptos que já há quem anuncie o fim do pergaminho.

A maior diferença do "livro" em relação ao bom e velho rolo é o conceito de "página": em vez de o texto ser desenrolado continuamente, como fazemos há mais de mil anos ― muito eficientemente, diga-se de passagem ― o "livro" desmembra a escrita em centenas de retângulos de papel. Para passar de um parágrafo ao outro, quando se chega ao fim da tal "página", é preciso virá-la e recomeçar a ler no verso da mesma, lá em cima, o que, segundo alguns estudiosos, interrompe o fluxo da leitura e compromete seriamente a compreensão do texto.

Os defensores do tal "livro" dizem que sua superioridade em relação ao pergaminho reside principalmente em sua capacidade de armazenamento. Enquanto nossos rolos chegam a no máximo dez metros, um "livro" pode conter centenas de "páginas", o equivalente a dezenas de pergaminhos. Ora: para que eu quererei levar por aí tanta informação, se só consigo absorver uma palavra de cada vez? Além do mais, se pretendo ler 10 ou 20 rolos, digamos, num fim de semana no Mar Morto, basta pedir a um escravo que amarre em nosso jumento o baú ou vaso onde os guardo, antes de partirmos.

Outra vantagem que os aficionados pela nova tecnologia não se cansam de apontar é a facilidade de se achar um texto rapidamente, dada a existência da tal "lombada". Se bem entendi, trata-se de uma das superfícies do "livro", oposta à que se abre, onde se pode escrever o título da obra. Ah, filisteus! Não sabem que o prazer da busca reside no caminho percorrido mais do que no objeto encontrado? Nunca viveram a delícia de tirar todos os rolos dos vasos e desenrolá-los, e na procura de um texto dar de cara com outros há muito lidos e esquecidos, e rememorar os dias da mocidade, quando o mundo era calmo e seguro, não havia cristãos se rebelando nem invenções cretinas ameaçando a ordem?

Ouçam o que eu digo, filhos de Deus: nós lemos muito bem com o pergaminho por mais de um milênio e não há por que se supor que assim não o faremos até o fim dos tempos. "Livro" é invencionice desses cristãos novidadeiros e um e outro devem desaparecer antes que você termine de ler o rolo de sua preferência. Páginas?! Lombadas?! Messias?! Quem acredita nessas sandices?


Texto originalmente publicado n' O Estado de São Paulo, em 19 de abril de 2010.

Entrevista sobre Filosofia








por Urariano Mota

Recife (PE) - Esta entrevista foi dada a uma jovem repórter de uma das revistas culturais do Brasil. Como não foi publicada, só me resta fazê-la pública nesta coluna. Acreditem, é tudo verdade.

Repóter - Comecemos, então, por essa onda de, digamos, popularização da filosofia: televisão, café filosófico, casa do saber, volta da disciplina às escolas. Acho que podemos começar a conversão, não é? Mais uma vez, obrigado pela atenção.

1. Como o senhor vê esse processo? É de fato uma tentativa de popularização, é uma necessidade ou estão tratando qualquer tipo de reflexão como filosofia?

UM - Você me faz perguntas que moram em lugar além da minha competência. Mas na medida da minha incapacidade, respondo: a filosofia ainda não está popularizada, mesmo nessa ‘onda’. Televisão, Café Filosófico, Casa do Saber (Daslu do Viver, se bem entendo). Ainda que possuam ‘formatos’, conteúdos diferentes, isso ainda não é filosofia, e muito menos a sua popularização. Até onde me lembro, e olhe que não sou tão jovem assim, o movimento dessa onda vem dos livros de autoajuda, de fórmulas de convivência (de aceitação do status do mundo), e atinge o que todo executivo, aspirante a executivo, burocratas dizem a respeito de qualquer concepção: ‘A ideia, a filosofia é...’. Isso é uma outra filosofia. Trata-se de uma dignificação do vulgar. ‘Sim, aceitamos o que o mundo é, aceitamos como o mundo se apresenta’, esses cursos insinuam, e tratam de palestras, dolce far niente, que ninguém é de ferro. Pelo que sei, pelo que lembro, pois lembrar a experiência é um saber, a filosofia esteve popularizada entre os jovens, entre os estudantes, nos anos de militância contra a ditadura militar. Duvida? Veja como se expressam, como expõem suas idéias os sobreviventes da época. Todos, quase todos discutiam Sartre, Lukács, Marx, Hegel, para viver – o que não era bem um viver bem. Muitos desses jovens filósofos foram assassinados.

Repórter - O que é filosofia, afinal?

UM - Eu lhe respondo como a sinto: para mim, filosofia é a mais alta reflexão sobre o mundo. Ela responde a dúvidas de especialistas, até mesmo sem o conhecimento dos especialistas. No começo do século XX, a Física, diziam os mais doutos físicos, estava no fim, porque se havia descoberto a partícula última do átomo. Foi preciso que um pensador, de nome Lênin, repusesse as coisas nos seguintes termos: “Pesquisem, pesquisem mais. A realidade é inesgotável”. E se viu depois o quanto ele estava e está certo.

Repórter - Toda reflexão é filosofia?

UM - Acredito que essa pergunta foi respondida antes.

Repórter - É possível ampliar o ensino da filosofia, levá-la à periferia, por exemplo, ou num país de ensino precário filosofar é elitista?

UM - A filosofia é tão elitista quanto saber ler. É tão elitista quanto saber pintar. E pessoas do povo leem, pintam e nos ensinam, todos os dias. É claro que é possível levar a filosofia ao mundo periférico – que precisa mais desse conhecimento poderoso que os frequentadores da Casa do Saber. Para o mundo dos excluídos, é uma questão de sobrevivência – pensar, refletir, organizar o mundo, organizar-se, propor e discutir alternativas ou superação.

Repórter - Por que é importante ampliar o acesso ao aprendizado da filosofia? Para que serve a filosofia?

UM - Acredito que Marx já respondeu sobre isso. A filosofia serve para transformar o mundo.

Repórter - O que o senhor não gostou no quadro Ser ou Não Ser, do Fantástico?

UM - O ‘Ser ou não Ser’, que deveria se chamar ‘Necas de filosofia’, retirou o seu maior dano do fato de vender uma falsificação, uma miséria da filosofia como se fosse um pensar filosófico. O tempo dele era curto, curtíssimo, para a reflexão – qualquer reflexão. O quadro entrava no programa como uma notícia no Jornal Nacional – você chora por um desastre e no segundo seguinte sorri para o samba na avenida. Nele, conceitos datados, visões superadas pela história, apareceram como um pensamento moderno, novíssimo.

Repórter - O que o senhor acha de iniciativas como a Casa do Saber, instalada no Rio e em SP, que oferece cursos com figuras do ´pensamento` nacional, a preços bem salgados?

UM - A indigência intelectual da elite quer ilustração, melhor dizendo, quer o status de ilustrada. Assim como compram quadros de arte por metro quadrado, vinhos para os quais não têm nem educação, querem se mostrar ilustrados, mencionar o nome de Sócrates entre um importado e outro. O público dos cursos forma um cadastro vip. Um ótimo arquivo para a fiscalização da Receita Federal”.

E mais não me foi perguntado.

Muito além do vídeo-release









Rodrigo Capella do Portal Comunique-se

O novo tripé jornalístico, calcado no entretenimento, prestação de serviço e informação, modificou de vez as atividades e funções da assessoria de imprensa. Se antes, toda e qualquer notícia era fornecida para a imprensa somente por palavras; agora, cada vez mais, novas tecnologias complementares tornam o trabalho dos comunicadores mais complexo e inovador.

Em 2009, foi a vez da social media e de sua múltiplas plataformas e aplicativos. Saber divulgar o cliente no Orkut, Twitter, Facebook e Slide Share (entre tantos outros espaços virtuais) era requisito mínimo para se consolidar na profissão. Atrelado a isso, o vídeo-release ganhou mais potencialidade aqui no Brasil, principalmente no início de 2010, obrigando o assessor de imprensa a também roteirizar e apertar play.

Ganharam espaço e diversos estudos iniciativas interessantes, tais como a do vídeo-release do Glow, o perfume da Jennifer Lopez; o lançamento do ‘Guinness World Records 2009’, sustentado por ótimas imagens; a participação do rapper 50 Cent na apresentação do Pontiac G8 personalizado; e o anuncio ousado da empresa iCrossing.

O que esses vídeos-releases têm em comum? As principais características: criatividade, inovação, ousadia e fator surpresa. O material ganha, então, maior credibilidade e aceitação jornalística. Fortalece a apuração, enfraquece boatos e notícias plantadas.

Tudo em sintonia. Mas, faltava apenas um detalhe: a interatividade. Como tornar os vídeos-releases mais amigáveis e atraentes? Neste contexto, surgiu o Interactive News Releases (INR). O método é quase o mesmo, mas com alguns adicionais: agora, com poucos cliques, é possível fazer embed em blogs, salvar uma imagem do vídeo ou ainda enviar o conteúdo por e-mail.

Pode-se também compartilhar o conteúdo em mais de duzentas mídias sociais, dos mais diferentes tipos, formatos e impactos, incluindo Delicious, Digg, Reddit, Facebook, StumbleUpon, Newsvine, Technorati e – é claro – Twitter.

Cases interessantes começam a pipocar, principalmente nos Estados Unidos e Inglaterra. A Bridgestone, por exemplo, inovou para anunciar o seu retorno ao Super Bowl. Com um INR de dois minutos, a marca reforçou sua presença na competição e criou uma história interessante, bem-humorada e atraente: um carro percorre uma estrada e no meio dela há animais. O que irá acontecer? A resposta está no INR.

Já a Purina se apoiou no sucesso Marley & Eu para lançar um INR, protagonizado pelo diretor do longa David Frankel. No vídeo de trinta segundos, a marca prende a atenção do público e o convida para participar de uma grande promoção.

Esses exemplos consolidam o início de uma nova assessoria de imprensa? Talvez. Mas, reforçam, pelo menos, a necessidade dos comunicadores aplicarem todos os recursos das ferramentas. Agora, com os vídeos-releases, não basta somente informar, é preciso, acima de tudo, entreter. Apertem o play com estilo!

Comunicação Organizacional












A Universidade de Brasília lançou uma graduação inédita no Brasil, a de Comunicação Social com habilitação em Comunicação Organizacional, com a abertura de 40 vagas. No País, o curso só era oferecido como pós-graduação ou extensão universitária.

A nova graduação oferecerá noções de jornalismo, audiovisual e publicidade e propaganda. Entre as disciplinas, destacam-se “Planejamento e Gestão em Organizações Públicas, Privadas e Terceiro Setor”, “Planejamento e Gestão em WEB” e “Gestão Estratégica para a Sociedade”.

O professor do curso, Hélio Doyle, explica a importância do profissional com formação específica para o mercado."Esse profissional tem de ser um gestor da comunicação e um estrategista, para diagnosticar problemas e estabelecer planos de comunicação. Seu conhecimento tem de estar articulado com disciplinas como ciência política, sociologia e psicologia", afirma.

Na área de comunicação, além do novo curso, a UnB também oferece graduação em jornalismo, audiovisual e publicidade.



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A Bienal nas Escolas










Os alunos do ensino Fundamental II e Médio das escolas públicas privadas do Ceará já podem inscrever suas redações para participar do concurso “A Bienal nas Escolas”. Parte da programação da 9ª Bienal Internacional do Livro do Ceará, que ocorre de 9 a 18 de abril em Fortaleza, o concurso tem por objetivo fomentar a pesquisa, a criatividade, a originalidade e o raciocínio dos estudantes. Esse ano, o tema escolhido para as redações foi “Ser culto é a única forma de ser livre”, frase do poeta libertário cubano José Martí.

O concurso de redação é uma ação da Coordenação de Políticas do Livro e de Acervos da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult/CE). Além de premiar oito alunos – quatro da escola pública e quatro da particular - em duas categorias - escola particular e escola pública, dividas em duas subcategorias Fundamental II (6º a 9º ano) e Ensino Médio (1º a 3º ano) - a Secult publicará e lançará durante a Bienal um livreto contendo as vinte melhores redações participantes.

As escolas de origem dos premiados receberão um acervo de livros a ser integrado às suas bibliotecas, favorecendo, assim, toda a comunidade escolar (gestores, coordenadores, professores, funcionários, pais e alunos).

O Regulamento do Concurso, os formulários específicos, a folha padrão de Redação e o Guia de Visitação Escolar estão disponíveis no sítio da SECULT (www.secult.ce.gov.br). As redações podem ser entregues nas próprias escolas dos participantes entre os dias 18 de janeiro e 19 de fevereiro de 2010. O resultado será divulgado no Diário Oficial do Estado, no site da SECULT e durante a abertura da 9 Bienal Internacional do Livro acontecerá a cerimônia de entrega de prêmios aos vencedores. Tal evento acontecerá no dia 9 de abril de 2010 a partir das 19h no Centro de Convenções do Ceara.


Do Portal Comunique-se.

Borrachalioteca
















Por Julio Daio Borges

Nos corredores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, um projeto de formação de leitores começou bem de mansinho. Um office-boy pediu um livro emprestado, a moça emprestou, depois outro office-boy achou legal e pediu também e a corrente ficou infinita. O resultado é que isso se tornou um projeto com sustança e a Márcia, funcionária do TJMG, defendeu uma monografia emocionante de especialização contando essa história e entrevistando os rapazes.

Mas o projeto mais lindão de que eu já ouvi falar é o da Borrachalioteca, em Sabará (MG, bem ao ladinho de Belo Horizonte). O Marcos Túlio encheu a borracharia de livros e o pessoal da comunidade lê avidamente o material. A coisa toda ficou tão importante que o esquema virou um projeto, com apoios bacanas e tudo. Amanhã, dia 29 de janeiro, a Borrachalioteca (ou Instituto Cultural Aníbal Machado) inaugura mais um espaço, desta vez no presídio municipal de Sabará.

O que deixa a gente arrepiado nesses projetos? A mansidão deles e a capilaridade como eles avançam sobre populações que não conseguem decidir as coisas. Discutir cultura, formação de leitores, cultura digital, etc. etc. é lindo, mas, como diz o prof. Marcelo Buzato (Unicamp), em geral, quem quer discutir e decidir sobre isso é o "incluído". Enquanto rolam os fóruns e as festas, regadas a política e notebooks, os 70% de "analfabetos funcionais" do país arranjam suas bibliotecas onde elas surgem.

Como utilizar as redes sociais









Somente em setembro de 2009, segundo pesquisa do Ibope Nielsen Online, 59 milhões de pessoas utilizaram comunidades e ferramentas de mensagens instantâneas no Brasil. Redes sociais como Twitter, Facebook e Myspace já fazem parte do dia-dia da maioria dos internautas. Dados do Instituto Informa/Binder apontam que 18% dos usuários de internet preferem as redes sociais como forma de comunicação, seja ela pessoal ou corporativa.

As empresas utilizam essas ferramentas para aumentar sua exposição, medir sua aceitação perante o mercado onde estão inseridas, para obter feedback diário e imediato de suas ações e com isso contornar, ou até mesmo evitar, possíveis crises. E também para mapeamento de tendências e comportamentos dos consumidores.

O Twitter, por exemplo, se tornou o símbolo da interação virtual. O usuário pode emitir uma única mensagem instantânea que serão vistas por diversas pessoas ao mesmo tempo, sem as formalidades “exigidas” pelos emails e sem necessidade de resposta. Sua disseminação no mundo corporativo facilita e acelera os contatos e as relações.

Segundo pesquisa realizada pelo IBOPE, em março de 2009 o Twitter teve um crescimento de 96,8% no número de usuários, entre perfis corporativos e pessoais. Essa presença cada vez mais maciça neste tipo de rede social traz aumento da exposição de pessoas e suas idéias, e portanto, merece ser tratada com seriedade, como se houvesse de fato, um código de comportamento virtual.

Para Ivan Witt, head hunter e sócio da Steer Recursos Humanos, empresa especializada em seleção para cargos de alta qualificação e aconselhamento profissional, cuidados devem ser tomados dentro do espaço virtual. Afinal, nele estão presentes não só amigos e familiares como gestores, chefes, políticos, jornalistas, colegas de trabalho, e todas as vertentes pessoais e profissionais que fazem parte da vida dos internautas.

O que pode e o que não pode se tornar público?

“É preciso ter critérios na utilização das redes e analisar qual é o objetivo com as postagens de idéias, pensamentos ou sugestões.”, diz Ivan Witt. “Não é porque a internet é um ‘campo aberto’ que se deva abastecer uma página com qualquer tipo de informação”, completa.

Se o interesse for profissional seja bastante seletivo. “Não misture informações de fórum intimo, ou estará sujeito a interpretações que nem sempre lhe favorecerão” alerta Ivan. “Relatos detalhados de sua vida pessoal na internet passam a ser públicos e as conseqüências disso fogem ao seu controle” completa.

Informações institucionais devem ser tratadas com ainda mais cuidado. Empresas estão ligadas a um grande número de internautas: clientes, funcionários, fornecedores, governo, etc. Nesse campo, qualquer deslize pode ser bastante prejudicial.

“Até mesmo na utilização das redes sociais por razões pessoais, é preciso cautela”, alerta Witt. “Se seus ‘seguidores’ ou ‘amigos’ fizerem parte de seu ‘networking’ profissional, seu perfil estará sujeito a interpretações da mesma forma, e o que era apenas uma informação sem importância, pode acarretar em diversos constrangimentos”.

Cuidados a serem tomados:

1) Critério na hora de repassar informações

Um dos muitos benefícios que a internet proporciona é a facilidade para reprodução de conteúdos. As informações devem ser verificadas e a fonte deve ter credibilidade. Nem tudo que está disponível na rede é verdade. “Repassar uma informação mentirosa não tira só a credibilidade de quem assina o texto como também de quem o manda.”

2) Falar dos colegas, chefes ou da empresa, nem pensar. Você será mal visto e chamado de no mínimo, de fofoqueiro

Algumas postagens podem ser bastante prejudiciais para sua carreira, por isso pense muito antes de fazê-las, mesmo que seja feita no seu Twitter pessoal e que ele esteja bloqueado. “A rede está ao alcance de todos. Seu amigo também tem amigos e num piscar de olhos seu comentário restrito vaza. Além de ser antiético não fica nada bem para o relacionamento no ambiente de trabalho”, explica o head hunter.

3) Cuidado extra para quem ocupa uma posição de destaque

Declarações feitas por profissionais em posições de destaque, mesmo que em suas páginas pessoais, inevitavelmente serão alvos de críticas e especulações pelos leitores. “É impossível controlar o desdobramento da informação uma vez que ela se torna pública, principalmente se a fonte da mesma é o protagonista da ação”, diz Ivan.

4) Não emitir opinião pessoal no perfil corporativo


Funcionários não podem emitir opiniões pessoais quando utilizarem as redes empresariais, mesmo que sua função seja alimentar esses espaços. “Isso pode ser causa de demissão por justa causa”.

5) Imagine-se dando uma entrevista ao vivo

Uma regra fácil é imaginar-se dando uma entrevista ao vivo para um grande público. Seja coerente, não invente nem tripudie. "A informação que você publica fica para sempre atrelada a você” finaliza Ivan.






do Portal Comunique-se.

27 de Janeiro - Dia do Orador
















por Letterino Santoro

A sociabilidade do ser humano surge por natureza, e a vida em sociedade gera uma constante comunicação entre duas ou mais pessoas, pais e filhos, patrões e empregados, vendedores e consumidores, alunos e professores, marido e mulher, povo e políticos, enfim, temos sempre orador e ouvinte. Saber falar, querer falar, ousar falar, calar e ouvir, isto é verdadeiramente uma arte.

A prática da Oratória - um ato de vida exigível de conhecimento, autodomínio, organização das idéias, relacionamento com o próximo – nos leva a um exercício em que trabalhamos nosso próprio crescimento, exigindo a expressão da naturalidade de uma criança; o envolvimento e emoção de um guerreiro; o entendimento de um mestre; a verdade de um sábio, conquistando, assim, nosso público, nossa platéia.

Entretanto, para fortalecer essa conquista , conhecer-se internamente e vencer a si mesmo torna-se indispensável para alcançar o sucesso nessa arte que é a Comunicação.

Escola Superior de Jornalismo








O presidente do Grupo Abril, Roberto Civita, anunciou em entrevista à revista Negócios da Comunicação, que irá patrocinar a criação de uma escola de pós-graduação em jornalismo. Em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), a instituição deverá ser inaugurada no segundo semestre de 2010 ou no primeiro de 2011. A faculdade deve receber o nome de Escola Superior de Jornalismo.

A ideia do empresário é patrocinar um curso para profissionais que tenham em torno de dez anos de experiência. “Vou dar dinheiro para esse curso, montar a escola, não só para o pessoal da Abril, mas para o Brasil inteiro”, declarou.

Para colocar o projeto em prática, Civita visitou os melhores cursos de pós-graduação em jornalismo. “Peguei dois professores da ESPM e fomos para os Estados Unidos visitar as quatro melhores faculdades de Jornalismo de nível de pós-graduação. Fazer perguntas, ver como é estruturado, currículo, professores, quanto custa e quanto cobram, as bolsas, enfim, o funcionamento da escola. Conhecemos, pelo menos, 60, 70 pessoas, dos reitores até os professores e os alunos. O que aprendemos, tanto para o curso como para ajudar a pensar, foi extraordinário”, afirmou.

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Apresentação do Blog Comunica @ção - ABRECOM

Caro leitor,

Bem vindo ao blog comunica @ção, um canal que liga você à ABRECOM.

Estamos aqui para compartilhar o conhecimento que transforma a

realidade e abrir o entendimento para a busca do novo.

Boa leitura!

Equipe ABRECOM

sexta-feira, 28 de maio de 2010

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